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Myravia Horta e jardim · Braga Falar connosco

19 de junho de 2026 · 2 min de leitura

Uma leira de dez metros, contada ao cêntimo

Somámos tudo o que é preciso para arrancar com dez metros quadrados de horta de folhas, do primeiro sacho ao primeiro corte.

Perguntam-nos muitas vezes quanto custa começar, e a resposta honesta é que depende demasiado para caber num número. Por isso fizemos o exercício ao contrário: pegámos num caso concreto, dez metros quadrados de leira para folhas de corte em terra granítica de encosta, e somámos tudo o que sai desta loja para lá chegar. O total ficou em setenta e três euros e oitenta cêntimos, e vale a pena ver onde é que esse dinheiro se reparte.

A maior fatia não é a semente, é a terra. Substrato para misturar nos primeiros oito centímetros, cinquenta litros depois do desconto de solo, dá um saco e um quarto, vinte e um euros. Calcário dolomítico para corrigir o pH, dois quilos e meio, sete euros e vinte. Areia lavada para aligeirar, um saco, cinco euros e noventa. Só de correctivos vão trinta e quatro euros, praticamente metade do orçamento.

A semente é a parte barata e é onde as pessoas hesitam mais. Dez gramas de alface de cortar, dez de rúcula, dez de espinafre e cinco de acelga: quatro euros e cinquenta ao todo, e sobra semente para a sementeira seguinte. É uma desproporção que confunde muita gente, porque a semente é o que dá o nome à cultura, mas é o que menos pesa na conta e o que mais dura no armário.

A ferramenta é o resto e é a única parte que não se repete. Uma sachola de cabo curto, dezanove euros. Um ancinho pequeno, onze e noventa. Um regador de cinco litros com crivo, oito e quarenta. São trinta e nove euros que só se pagam uma vez e que, com cabo de encaixe e não colado, duram vinte anos. Na segunda época a mesma leira custa menos de quinze euros para arrancar outra vez.

O número que ficámos a olhar mais tempo foi outro: no primeiro ano, cinquenta e três por cento do orçamento vai para corrigir o solo. Se a terra fosse de várzea, essa fatia caía para menos de vinte por cento e o total ficava perto dos cinquenta euros. É por isso que insistimos tanto na descrição da terra antes de vender fosse o que fosse. A conta muda mais com a terra do que com a cultura.