Saltar para o conteúdo
Myravia Horta e jardim · Braga Falar connosco

Desde 2009 na Rua das Latadas

Uma loja de horta com balcão em Braga desde 2009

Começámos a vender semente a peso numa garagem da Rua das Latadas e continuamos a pesar tudo à frente de quem compra, porque foi assim que ganhámos os clientes que ainda cá voltam.

Mulher de cabelo escuro pelos ombros com avental verde-azeitona, em fundo cinzento neutro

Inês Carvalho

Sementeira e viveiro

Faz as provas de germinação de Janeiro e é quem decide que variedades ficam no frasco para o ano seguinte.

Veio de uma exploração hortícola de Barcelos e trouxe de lá o hábito de escrever tudo: cada lote de semente que entra na loja leva a data, o produtor e a percentagem que germinou na última prova. Se um lote desce dos oitenta e cinco por cento, sai do frasco e vai para o balcão dos saldos com o número escrito à frente.

Homem grisalho de bigode com avental verde-azeitona, retrato de estúdio em fundo cinzento quente

Armando Pinheiro

Balcão, terras e correctivos

Abriu a loja em 2009 e continua a ser ele quem faz a pergunta chata sobre o pH antes de vender calcário.

Trabalhou vinte anos em obras de saneamento pela bacia do Cávado e conhece o subsolo desta região melhor do que muita gente conhece o próprio quintal. É dele a regra da casa que dá mais trabalho a cumprir: se o cliente descrever a terra e a conta der menos do que ele pediu, vende-se o que a conta diz e explica-se porquê.

Como isto começou

Em 2009 a Rua das Latadas tinha uma garagem devoluta e um armazém de rações que tinha acabado de fechar. O Armando alugou a garagem para guardar ferramenta de obra, encheu duas prateleiras com semente que sobrava de uma quinta da família em Vila Verde e pôs um papel na porta a dizer que se vendia semente a peso. Vendeu tudo em três semanas, sobretudo a vizinhos que vinham com um envelope velho na mão.

Nos primeiros anos a loja não tinha caixa registadora nem horário afixado. Tinha uma balança de dois pratos, um caderno de capa preta e uma regra que se mantinha por teimosia: ninguém levava mais do que precisava. Isso fez com que a loja crescesse devagar e com que quase todos os clientes voltassem, o que na altura pareceu azar e hoje parece ter sido a decisão mais rentável de todas.

Em 2014 abriu-se a parede para o armazém ao lado e nasceram os quatro balcões que ainda hoje organizam a loja. Em 2017 a Inês entrou para tratar do alfobre e trouxe consigo o registo escrito de todos os lotes de semente, que mudou a maneira como a casa trabalha. Em 2021 passámos a emprestar o medidor de pH, e desde aí as vendas de calcário subiram um terço e as de adubo desceram quase outro tanto.

Não temos loja em linha nem tencionamos ter. O que este sítio faz é o que o balcão faz: mostra o que existe, faz a conta antes da venda e diz claramente o que não vale a pena comprar. Se depois disso quiser vir cá, temos estacionamento à porta e um carrinho de mão para carregar sacos.

Três regras da casa

  1. A conta é feita antes da venda

    Ninguém sai daqui com um saco que não sabe onde vai usar. Pedimos a área da leira, o que vai semear e uma descrição da terra, fazemos a conta em voz alta e só depois vamos buscar a mercadoria. Se a conta der menos do que estava na lista, é a conta que manda, e a diferença fica escrita no talão para quem quiser conferir em casa.

  2. A semente é pesada à frente de quem compra

    O frasco vem do armário, abre-se em cima do balcão e a balança está virada para o cliente. O envelope leva o nome da variedade, o ano do lote e a percentagem da última prova de germinação escritos à mão. Demora mais um minuto do que tirar um envelope selado da prateleira e é a razão pela qual metade dos nossos clientes cá voltam.

  3. O que corre mal fica escrito no diário

    Quando um lote falha, quando damos um conselho errado ou quando uma cultura que recomendámos não pega, escrevemos isso no diário da loja com a data e o que aprendemos. Não é humildade encenada: é a única maneira de não repetir o mesmo engano na Primavera seguinte, quando já ninguém se lembra do que aconteceu.