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Myravia Horta e jardim · Braga Falar connosco

14 de março de 2026 · 2 min de leitura

Porque é que o substrato acaba sempre a meio

A conta do substrato falha quase sempre pela mesma razão: mede-se a área da leira e esquece-se a profundidade a que se vai mexer a terra.

Todas as Primaveras acontece o mesmo ao balcão. Alguém traz a medida da leira escrita num papel amarrotado, leva os sacos que lhe parecem suficientes e volta quinze dias depois a precisar de mais dois. Não é distracção de ninguém. É que o substrato não se gasta por metro quadrado, gasta-se por metro cúbico, e a profundidade a que se mexe a terra quase nunca entra na conta que se faz de cabeça.

A diferença é maior do que parece. Numa leira de dez metros quadrados, misturar substrato nos primeiros cinco centímetros consome quinhentos litros teóricos, mas na prática cerca de cento e cinquenta, porque se mistura e não se substitui. Ir aos quinze centímetros triplica o volume mexido. É exactamente a mesma leira, o mesmo papel, o mesmo cliente, e três vezes o número de sacos, só porque a enxada desceu mais dez centímetros.

A pergunta certa não é quantos sacos levo, é até onde vou mexer a terra e o que é que lá vou pôr. Para folhas de corte oito centímetros chegam e sobram, porque a raiz não passa disso. Para cenoura ou nabo é preciso ir aos vinte e cinco e passar tudo pelo crivo. Para tomate em leira levantada a conta é outra ainda, porque aí o substrato não é correctivo, é mesmo o solo todo.

Há ainda a parte que ninguém gosta de ouvir: em terra granítica do Minho, encher a leira de substrato comprado pode piorar as coisas. Fica uma camada fofa e esponjosa por cima de uma camada compacta e ácida por baixo. A água acumula-se na fronteira entre as duas, a raiz não atravessa, e ao terceiro mês a planta está pior do que estaria sem saco nenhum. Primeiro corrige-se o pH com calcário, depois é que se fala de matéria orgânica.

A calculadora que temos na página inicial faz esta conta com os coeficientes que usamos ao balcão e mostra sempre duas linhas: o que precisa e o que pode deixar cá. A segunda linha existe porque a primeira, sozinha, dá sempre um número maior do que o necessário. Se a conta lhe der menos do que trazia na lista, não é engano do sítio, é o mesmo que lhe diríamos com o saco na mão.