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Myravia Horta e jardim · Braga Falar connosco

30 de maio de 2026 · 2 min de leitura

O mito do adubo a mais em terra de várzea

Em terra de fundo de vale, metade do adubo que se compra vai parar ao ribeiro. E o que fica muitas vezes faz mais mal do que bem.

Há uma ideia muito instalada de que a terra da várzea, por ser escura e macia, é terra que aguenta tudo o que se lhe puser. Na verdade é o contrário: precisamente por já ter matéria orgânica acumulada de décadas de aluvião, é a terra em que uma adubação de rotina tem mais probabilidade de fazer estragos. O azoto que sobra não fica à espera na leira, desce com a primeira chuvada e vai para a linha de água mais próxima.

Nas culturas isso vê-se depressa. Couve com azoto a mais faz folha larga, tenra e cheia de água, exactamente o que a lagarta e o pulgão procuram. Tomate com azoto a mais faz rama alta e verde-escura e atrasa a floração. Feijão então é caso à parte: fixa azoto por conta própria através das bactérias das raízes, e adubá-lo com azoto é pagar para desligar um sistema que já estava a funcionar de graça.

A conta que fazemos ao balcão para terra aluvial parte de setenta por cento da dose de referência e ainda desconta quarenta e cinco por cento a título do que a terra já dá. Nas contas de uma leira média isso significa vender cerca de um terço do adubo que a pessoa vinha pedir. Não é generosidade, é o que os boletins de análise de solos desta bacia mostram há anos, e qualquer laboratório da região confirma por trinta euros.

Quando a análise não existe, há sinais que valem quase tanto. Se a erva espontânea na berma da leira cresce alta e verde-escura sem ninguém lhe tocar, o azoto está lá. Se aparecem urtigas em mancha, o azoto está lá em excesso. Se a terra fica escura e coesa depois de molhada e cheira a mato húmido e não a nada, há matéria orgânica que chegue para dois anos sem composto novo.

Isto não quer dizer que não vendamos adubo a quem tem várzea. Quer dizer que vendemos potássio e um pouco de fósforo, que são o que costuma faltar, e deixamos o azoto de fora até haver razão para o contrário. E quando alguém insiste, vendemos, porque a horta é de quem a trata; mas fica escrito no talão que a recomendação da casa era outra.